sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Mundo Comunista

Quando o 2º conflito mundial terminou a URSS foi responsável pela implantação de regimes comunistas, inspirados no modelo soviético, por todo o mundo.
Após a 2ª Guerra Mundial, o reforço da posição militar soviética e o desencadear do processo de descolonização criaram condições favoráveis quer à extensão do comunismo, quer ao estreitamento dos laços de amizade e cooperação entre Moscovo e os países recentemente independentes. A URSS saiu, assim, do isolamento a que estivera votada desde a Revolução de Outubro, alargando a sua influência nos 4 continentes.

Europa

A primeira vaga da extensão do comunismo atingiu a Europa Oriental e fez-se sob a pressão directa da URSS. Entre Julho de 1947 e Julho de 1948, as coligações governamentais desfizeram-se: o partido comunista tornou-se partido único.
Os novos países socialistas receberam a designação de democracias populares.
Democracias Populares: Designação dada ao regime do partido único instituído nos países do Leste Europeu, construído à semelhança do modelo soviético, e que, adoptando a ideologia comunista, exerceu o poder de forma absoluta e controlou toda a sociedade.

Defendem que a gestão do Estado pertence, em exclusivo, às classes trabalhadoras. Estas, que constituem a esmagadora maioria da população, “exercem o poder” do Partido Comunista.
Depois da implantação do comunismo, a URSS exerceu um apertado controlo sobre os seus novos aliados.
Em 1955, os laços entre as democracias populares foram reforçados com a constituição do Pacto de Varsóvia, aliança militar que previa a resposta conjunta a qualquer eventual agressão. O Pacto Varsóvia constituiu uma organização completamente oposta à OTAN. A união soviética impôs um modelo único, do qual não admitiu desvios.
Em 1956, na Hungria, e em 1968, em Praga (Checoslováquia), a URSS reprimiu, com os tanques militares do Pacto de Varsóvia, os levantamentos sociais que contestavam o poder soviético.
Em 1961, a fim de evitar a passagem de cidadãos de Berlim Leste para Berlim Oeste, de onde fugiram para a RFA e para outros países ocidentais, a RDA ordenou a construção do muro de Berlim.

Ásia

Fora da Europa, o único país em que a implantação do regime comunista se ficou a dever à intervenção directa da URSS foi a Coreia. Entre 1950 e 1953 desenrolou-se, na Coreia, uma guerra civil entre o norte, a República Popular da Coreia, comunista, apoiada pela URSS e o sul, a República Democrática da Coreia, capitalista, sustentada pelos Estados Unidos. O final da guerra não unificou o país, tornando-se mais uma das questões por resolver da Guerra Fria.

Nos restantes casos, o triunfo do partido comunista ficou a dever-se a movimentos revolucionários nacionais que contaram, no entanto, com o incentivo ou o apoio declarado da URSS.
Tal é o caso da China, onde, em Outubro de 1949, Mao Tsé-Tung proclamou a instauração de uma República Popular. Apesar de, posteriormente, se ter afastado da URSS, a China seguiu, nos primeiros anos do regime comunista, o modelo político e económico do socialismo russo.

América Latina

O p0nto fulcral da expansão comunista na América Latina foi Cuba, onde, um grupo de revolucionários, sob o comando de Fidel Castro e do Che Guevara.
A influência soviética em Cuba confirma-se quando, em 1962, aviões americanos obtêm provas fotográficas da instalação, na ilha, de mísseis russos de médio alcance, capazes de atingir o território americano.
A exigência firme de retirada dos mísseis, feita pelo presidente Kennedy, coloca o mundo perante a eminência de uma guerra nuclear entre as duas superpotências.
Fruto do seu alinhamento com o bloco soviético, Cuba desempenhará também um papel activo na proliferação do comunismo.

África

A adopção de regimes sociais coincidiu com a 2ª vaga de descolonizações (por ex: nos anos 70 as ex-colónias africanas de Angola e Moçambique tornaram-se Estados Socialistas).

Opções e Realizações da economia de direcção central

Após a 2ª Guerra Mundial, a planificação da economia nos regimes socialistas propiciou uma recuperação rápida dos prejuízos causados pelo esforço de guerra. Os planos quinquenais apostavam, sobretudo, na indústria pesada (siderurgia) e nas infra-estruturas. A URSS e os países de modelo soviético registaram um crescimento industrial tão significativo que ascenderam à 2ª posição da indústria mundial.
No entanto, a par destas realizações, as economias da direcção central (dirigidas pelo Estado o qual abolia a iniciativa privada) evidenciavam fraquezas estruturais que comprometiam a longo prazo o seu sucesso:
O nível de vida das populações não acompanha esta evolução económica.
• As jornadas de trabalho matem-se excessivas;
• Os salários sobem a um ritmo muito lento e as carências de bens de toda a espécie mantêm-se;
• A agricultura, a construção habitacional, as indústrias de consumo e o sector terciário avançam lentamente.
Nas cidades, que a industrialização fez crescer a um ritmo muito rápido, a população amontoa-se em bairros periféricos. As longas filas de espera para adquirir os bens essenciais tornam-se uma rotina diária.

Os bloqueios Económicos

Passando o primeiro impulso industrializador, as economias planificadas começam a mostrar, de forma mais evidente, as suas debilidades:
• A planificação excessiva entorpece as empresas, que não gozam de autonomia na selecção das produções, do equipamento e dos trabalhadores, na fixação de salários e preços, ou na escolha de fornecedores e clientes;
• Uma gestão burocrática limita-se a procurar cumprir as quantidades previstas no plano, sem atender à qualidade dos produtos ou ao potencial de rentabilidade dos equipamentos e da numerosíssima mão-de-obra;
• Nas unidades agrícolas, a falta de investimento, a má organização e o desalento dos camponeses reflectem-se de forma severa na produtividade.

A morte de Estaline (1953) e a subida ao poder de Nikita Kruchtchev permitiu a desestalinização (fortes críticas às orientações políticas e económicas de Estaline, defendendo-se agora uma orientação mais liberal e aberta ao ocidente) e uma nova orientação na política extena (coexistência pacífica com os EUA) e novas orientações económicas de modo a combater estagnação dos anos 50. Tal se inicia com o VI Plano quinquenal (1956-60), o qual reforça o investimento nas indústrias de consumo, na habitação e na agricultura. Ao mesmo tempo, a duração do trabalho semanal reduz-se (de 48 para 42 horas) bem como a idade da reforma, que se estende, aos trabalhadores agrícolas.
No entanto, os efeitos destas medidas ficaram muito aquém das expectativas, não conseguindo relançar a economia. Na década de 70, sob a liderança de Leonidas Brejnev, este retomou o culto da personalidade e a corrupção e a burocracia avolumaram-se, o que se traduziu no agudizar da estagnação.

As dificuldades soviéticas reflectiram-se, de forma mais ou menos grave, em todos os países satélites. A estagnação das economias de direcção central reflecte, sobretudo, as falhas do sistema, que se foram agravando ao longo das décadas.

A escala armamentista e o início da era espacial

A escala armamentista

Para além dos esforços postos na constituição de alianças internacionais, os 2 blocos procuravam preparar-se para uma eventual guerra, investindo grandes somas na concepção e fabrico de armamento cada vez mais sofisticado.
Nos primeiros anos do pós-guerra, os Estados Unidos tinham o segredo da bomba atómica, que consideravam a sua melhor defesa.
Quando, em Setembro de 1949, os Russos fizeram explodir a sua primeira bomba atómica, a confiança dos Americanos desmoronou-se.
Em 1952 os americanos testavam, no Pacífico, a 1ª bomba de hidrogénio, com uma potência 1000 vezes superior à bomba de Hiroxima.

A corrida ao armamento tinha começado. No ano seguinte, os Russos possuíam também a bomba de hidrogénio e o ciclo reiniciou-se, levando as duas superpotências à produção maciça de armamento nuclear. O mundo viu também multiplicarem-se as armas ditas convencionais. No fim de 1950, os americanos consideravam obrigatório aumentar, tão depressa quanto possível, a força aérea, terrestre e naval em geral e a dos aliados num ponto em que não estivessem tão fortemente dependentes de armas nucleares.
O investimento ocidental nas armas convencionais desencadeou, como era de esperar, uma igual estratégia por parte da URSS [afectou, em 1952, 80% do orçamento de Estado para despesas militares]
Cada um dos blocos procurava persuadir o outro de que usaria, sem hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respectivas áreas de influência. O mundo tinha resvalado, nas palavras de Churchill, para o equilíbrio instável do terror.

O início da era espacial

Durante a 2ª Guerra Mundial a Alemanha tinha secretamente desenvolvido a tecnologia dos foguetes e criado os primeiros mísseis. Em 1945, os cientistas envolvidos neste projecto emigraram para a URSS e para os Estados Unidos, onde desempenharam um papel relevante nos respectivos programas espaciais.
A URSS colocou-se à cabeça da conquista do espaço [em Outubro-1957 coloca em órbita o 1º satélite artificial da história].
A desolação dos Americanos, que até aí tinham considerado a URSS tecnologicamente inferior, foi grande. Na ânsia de igualarem a proeza russa, anteciparam o lançamento do seu próprio satélite, mas o foguetão que o impulsionava explodiu e a experiencia foi um fracasso.
Nos anos que se seguiram, a aventura espacial alimentou o orgulho nacional das duas nações.

3 comentários:

  1. Tenho a dizer que mais pesquisas destas deveriam ser colocadas no grande mundo da internet.
    Muito obrigado, é me muito útil.

    Com os melhores cumprimentos,
    João André Antunes

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  2. muito bom vai ajudar no trabalho de historia de que estou a fazer =).obrigado

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